Ana Sawaia Arquitetura

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Sobrado 1939

Reformar e atualizar os usos de um sobrado de 1939, em um terreno comprido e estreito no bairro de Pinheiros, zona oeste da capital paulista. Essa foi a missão que a arquiteta Ana Sawaia recebeu do proprietário, que além de morar também desejava trabalhar na casa setentona. O terreno de 5,5 x 60 m tinha toda a porção frontal ocupada pela antiga casa de dois pavimentos. O novo projeto manteve a planta original, trocou subsistemas e definiu um segundo volume na porção posterior do terreno.
“Além de atualizar revestimentos do sobrado, criei um anexo moderno, para o proprietário receber os amigos”, explica Sawaia.

A reforma O programa original da construção consistia em duas salas e cozinha no térreo, além de três dormitórios, um deles com terraço, no primeiro pavimento. As primeiras providências da arquiteta foram a verificação do estado das estruturas, alvenarias e revestimentos.
A profissional revitalizou o assoalho de madeira presente nos dois andares, com raspagem e aplicação de resina. O piso do corredor de entrada, que estava bem deteriorado, não pôde ser salvo e foi trocado por ladrilho hidráulico, um tipo de revestimento cerâmico de alta resistência que mantém características da arquitetura das décadas de 1930 e 40.

Na cozinha Sawaia aplicou porcelanato – para garantir maior durabilidade e estanqueidade – e instalou uma porta de correr no acesso. Já o recuo frontal, usado como garagem, teve seu piso revestido com placas cimentícias que também ladeiam toda a lateral da casa até encontrar o anexo dos fundos. Todas as esquadrias de madeira foram trocadas por réplicas incorporadas a vidros temperados de 10 mm de espessura, para garantir proteção acústica.  As portas internas também foram substituídas, mas as voltadas para a área externa foram restauradas. Nesta parte da casa, a única exceção à manutenção da estrutura das passagens originais foi o portão de metal de entrada no terreno, feito com tubos de ferro curvados. No pavimento superior, o quarto do terraço une-se ao contíguo, com a retirada de uma parede de alvenaria, e transforma-se em um grande dormitório de casal, com dois tipos de piso, assoalho e tacos de madeira. Esse cômodo teve o forro retirado e ganhou a visão total da estrutura de madeira da cobertura. A arquiteta conta que essa decisão aconteceu por acaso, quando a equipe de obra abriu uma parte do forro para recuperar o estuque. “Foi quando vi que a estrutura do telhado era linda e merecia ser exposta’,  relembra. No entanto, uma das tesouras de tal conjunto estava quebrada e teve que ser trocada. Como não foi possível encontrar o mesmo tom da madeira das originais, todo o madeiramento do telhado foi pintado de branco. Como acabamento, placas de gesso acartonado foram posicionadas junto à estrutura, acompanhando a inclinação das telhas. Para finalizar a obra de recuperação, todas as fachadas e paredes foram pintadas de branco, exceto um dos muros laterais que recebeu a cor azul ultramar, resultado de um pigmento importado misturado com látex. 

O novo anexo multiuso aproveitou a boa profundidade do terreno e teve sua implantação na porção central, após o pau-ferro, uma das árvores existentes no lote e preservadas durante a reforma. A planta compreende sala multiuso, lavabo e área de serviço. O acesso pode ser feito tanto pela cozinha como pela garagem e é marcado por uma passarela de placas cimentícias,  posicionadas até os limites de uma marquise de concreto aparente. Sob este pequeno alpendre, o piso é um deck de madeira cumaru que não invade o espaço interno. A construção ocupa todos os recuos laterais disponíveis, a ponto de utilizar os muros de tijolos aparentes – e recuperados com estuque e resina fosca – como apoios para a cobertura. A estrutura do anexo também conta com dois pilares de concreto engastados nos muros, e uma viga de 90 cm de altura, também à mostra, que esconde a caixa d'água e parte de um toldo retrátil de lona preto. A cobertura da sala é formada por um pergolado de madeira cumaru de 3,15 x 5,5 m, com vãos de 3 cm, e acima dele, está a lona retrátil preta. De acordo com a arquiteta, a cor escura da lona confere uma sensação de infinito ao ambiente. “A ideia foi fazer uma sala de estar que também pudesse virar uma varanda sombreada.”, explica Ana. O ambiente abre-se para um grande jardim nos fundos do terreno, limitando-se apenas por divisórias corrediças de vidro. Outro deck de madeira cumaru leva a um chuveiro externo, e – mais ao fundo – a um piso elevado onde a arquiteta delimitou um espaço de refeições ao ar livre, sob a sombra de uma mangueira. Nesta área, também, o desenho do jardim abriga árvores preservadas, como a já citada mangueira e a jabuticabeira; além de duas espécies de gramas, esmeralda e amendoim, e plantas novas como gardênias e fórmios. O projeto do anexo foi definido de maneira a não entrar em conflito com a arquitetura datada do sobrado. Nesse caso, o contemporâneo une-se ao antigo para trazer novas possibilidades de uso. (Simone Sayegh – do UOL, em São Paulo)

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