homify 360°: o Chalé das Três Esquinas

Pedro Ribeiro – homify Pedro Ribeiro – homify
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Hoje, temos um projeto muito especial para apresentar em nossa seção homify 360°, o “Chalé das Três Esquinas”, situado no coração das muralhas romanas e medievais da cidade de Braga (norte de Portugal), no bairro da Sé e que constitui um exemplo ímpar da influência brasileira na arquitetura portuguesa do século XIX. Foi “construído segundo o modelo idealizado de um chalé alpino, popular no Brasil oitocentista (de proporções altas, janelas verticalizadas, telhados inclinados e beirados decorados)” diz o arquiteto responsável pela reabilitação do edifício.

Originalmente, foi construído como um anexo do prédio vizinho, um pequeno palácio da cidade. Antes da reabilitação, a sua aparência pode ser descrita numa frase simples: os tempos passados nem sempre foram generosos. Mas como acontece com as construções vizinhas, os edifícios foram deixados à deriva durante quase 120 anos, através de pequenas intervenções não qualificadas, o que causou a perda da essência e do caráter da rua e levou à perda da identidade original do edifício. Quase em ruínas, o atelier de arquitetura, Tiago do Vale Arquitectos, aceitou o desafio de devolver ao edifício, o charme do passado. “O objectivo do projecto foi, assim, clarificar os espaços e funções do edifício, recuperando a imagem, as técnicas construtivas e o programa (essencialmente habitacional) originais e, simultaneamente, o adequando às formas de viver contemporâneas, o devolvendo à cidade e, potencialmente, alicerçando um modelo para intervenções de reabilitação futuras no bairro da Sé” refere o arquiteto. A reabilitação na arquitetura é a chave para a preservação do património e isso se aplica a este trabalho que foi fantástico e desde então, o “Chalé das Três Esquinas”, serve de exemplo aos projetos de reabilitação de edifícios na vizinhança.

A fachada principal

O encanto e charme original da fachada da casa foram recuperados. Todos os detalhes foram extremamente cuidados, como a substituição da caixilharia moderna em alumínio e caixas de estore exteriores por caixilharia semelhante à original em madeira e o minucioso beirado decorativo foi restaurado. A cor turquesa que cobre a fachada principal da moradia do lado esquerdo, proporciona um toque bem-humorado a um bairro histórico sombreado pelo passar do tempo e combina a história da casa com o presente moderno.

A praça interior

Na praça interior foram plantadas, de forma pontual, laranjeiras providenciando lindas flores brancas, um aroma embriagante e sombra fresca durante verão e um espetáculo de inverno com as laranjeiras cobertas de frutas vistosas. A sua fachada traseira voltada a este, desfruta de luz natural ao longo de todo o dia é um verdadeiro reflexo da fachada oeste. No entanto, desta vez, não é pintada de azul-turquesa, mas de branco brilhante para refletir a luz. A partir desta perspectiva, o contraste é mais evidente: o nosso edifício de três telhados convive, de mãos dadas com um autêntico palácio.

O conceito

O interior, completamente renovado, procura a qualidade espacial e contemporaneidade: construção, elementos e programas tradicionais adaptados a um estilo de vida actual. Durante anos, o interior perdeu a sua funcionalidade através de espaços excessivamente compartimentados que não aproveitavam a luz natural das fachadas este e oeste. Entre os objetivos do projeto, se procurou resolver isso, recuperar o programa, essencialmente doméstico, e a sua distribuição original.

A luz natural, é portanto, é um ponto-chave ao longo de todo o projeto. Os espaços, agora fluidos, permitem que esta conquiste cada um dos espaços interiores, fazendo brilhar os soalhos de madeira e o branco do ambiente.

O programa

O programa pedia a comunhão entre um espaço de trabalho e um programa de habitação. Devido à reduzida área útil, seguiu-se a estratégia original de hierarquizar as áreas por pisos. De acordo com esta solução e aproveitando um desnível entre as duas fachadas, foi possível colocar o estúdio no piso térreo, com acesso directo à rua e aproveitando a luz da fachada ocidental: a luz morna e misteriosa do entardecer. A fim de isolar e impermeabilizar o piso térreo, se utiliza o mármore branco de Estremoz, Portugal. Neste espaço de trabalho, a paisagem branca muda com o mobiliário preto, criando um ambiente elegante e sofisticado.

O programa doméstico, portanto, se localiza nos pisos superiores, relacionados com o pátio interior e a luz do amanhecer. No primeiro andar se localiza a zona social da habitação: a sala de estar e cozinha. O topo do edifício, portanto, é reservado à zona de dormir,  o programa da noite com um quarto, closet e banheiro.

A escada

A escada torna-se no coração do projeto, bem como um elemento estruturante dos diferentes andares. Mantem-se a sua estrutura e aspecto, substituindo o piso dos degraus e pintando o resto de branco, obtendo uma imagem congelada no tempo. Em sua ascensão, seções da escada vão estreitando progressivamente refletindo a natureza mutável dos espaços que vai dando acesso. A sua geometria de construção filtra as relações visuais entre os programas, permitindo, relações entre eles, e que a luz atravesse verticalmente o edifício através dos seus espaços.

Os espaços

Evitando as soluções convencionais de espaços compartimentados com paredes e casas cheias de portas, se criaram espaços fluidos, onde apenas a escada divide o espaço e define os perímetros das diferentes salas: sala-cozinha e quarto-banheiro-closet. Nesta mesma linha, o mobiliário, também escasso, procura a funcionalidade no âmbito da estratégia de expressão mínima. As suas superfícies, também brilhantes, perseguem um objetivo comum: valorizar a luz, a refletindo em todas as direções.

O topo

No último andar da casa, diretamente sob o beiral do telhado, vamos encontrar o quarto principal que inclui banheiro e closet, onde o único protagonista é o teto: uma estrutura restaurada de madeira, onde se abrem claraboias com vista para o céu. Mais uma vez, os tons de branco reinam sobre todo o espaço: uma imagem fria que contrasta com o calor e conforto do piso.

Com a ideia de criar uma imagem única, de maximizar a luz e clareza em todo o projeto, os materiais utilizados são intencionalmente limitados: madeira na sua cor natural, no chão, no quarto, closet e nas superfícies da escadaria e o mármore branco de Estremoz no revestimento das zonas umidas: piso térreo, balcões e no chão e paredes do banheiro e lavandaria. 

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