Cores frias e quentes: como usá-las na decoração de sua casa

Patricia Smaniotto – homify Patricia Smaniotto – homify
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Um dos conhecimentos mais básicos e fundamentais no trabalho em arquitetura, design e decoração é a teoria das cores. Antes de mais nada é preciso lembrar que cor é uma característica da luz: sem a luz solar, não haveria cor. Ela é composta por ondas eletromagnéticas de diferentes comprimentos das quais só algumas vemos a olho nu. Por isso, os profissionais dessas áreas contam com um instrumento de trabalho chamado círculo cromático, mais popularmente conhecida como roda das cores.

Contando com 12 diferentes cores, esse instrumento apresenta as cores primárias (aquelas cores puras não resultantes de mistura), as cores secundárias (resultantes da mistura de cores primárias)  e cores terciárias (resultantes da união de cores primárias e secundárias).O que acontece é que encontramos na roda das cores exatamente as cores do espectro solar, partindo do vermelho, passando pelo laranja, o amarelo, o verde, o azul e chegando ao violeta. 

As cores  classificadas como primárias são o amarelo, o azul e o vermelho, enquanto as cores secundárias são o laranja, o verde e o violeta. Já as terciárias são as outras seis: turquesa (azul mais verde), carmim (vermelho mais violeta) e verde-limão (amarelo mais verde) e três outras sem nomes definidos decorrentes das misturas vermelho-laranja, amarelo-laranja e azul-violeta.As variantes mais escuras ou claras destas cores são obtidas ao se juntar preto (sombra) ou branco clareamento). Ainda se pode realizar a mistura da cor com cinza (saturação ou croma): quanto mais cinza tiver na cor, mais neutra ela se torna.

O círculo cromático também permite distinguir as cores frias, que são o violeta, o azul e o verde, e as cores quentes, que são o amarelo, o laranja e o vermelho. A aplicação das cores quentes e frias em um projeto deve levar em conta vários fatores. Por exemplo, a dimensão do espaço: se forem usadas cores quentes em ambientes pequenos, eles podem se tornar asfixiantes e opressores, enquanto, se os ambientes forem grandes e as cores frias, pode haver uma sensação de vazio e tristeza. Já a luz – natural ou artificial – deve ser levada em conta na escolha entre cores quentes ou frias, pois ela pode intensificar demais tanto as quentes ou as frias, ou seja, as quentes ficam mais quentes e as frias, mais frias. O ideal é que os ambientes que recebem menos luz natural sejam aquecidos com cores quentes e aqueles que recebem mais luz natural sejam refrescados com cores frias.  

Existe ainda uma longa lista de cores neutras, composta por branco, preto, marrom, creme, bege, cinza e todas as suas diferentes tonalidades que, precisamente devido à sua neutralidade, são extremamente versáteis. Combinam com praticamente todas as outras cores da roda e são um excelente ponto de partida para quem está iniciando na decoração ou não quer arriscar muito. Com as cores neutras, é fácil aquecer a divisão com tons mais quentes ou refrescá-la com tons mais frios.

Assim, mais importante do que saber qual é a melhor cor para cada ambiente da casa é lembrar que cada caso é um caso, envolvendo vários fatores como dimensão do espaço, luz, função do ambiente e a própria personalidade do morador, entre outros. Isso porque uma pessoa muito estressada ou nervosa pode ser negativamente afetada por cores quentes e precisar de cores frias para conseguir mais serenidade e relaxamento.

Comumente, considera-se as cores quentes ideais para áreas de convívio como a sala de estar por causa da sua alegria e  o seu aconchego, enquanto as frias são indicadas para áreas mais íntimas como o quarto e o banheiro, pois busca-se aí tranquilidade e paz. Mas isso não é uma regra gravada em mármore: o importante é que a escolha de cores de um ambiente não peque pela saturação delas. O mais acertado é que a cor principal seja equilibrada com as cores neutras, dando um espaço para o olhar descansar dos seus efeitos psicológicos e ambientais. 

Por isso, apresentamos a seguir para você algumas possibilidades de composição com cores quentes e frias, que demonstram inclusive que as regras mais comuns no uso das cores frias e quentes em decoração podem ter as suas exceções. Boa leitura!

Verde no hall de entrada

Os ambientes decorados com tonalidades esverdeadas costumam reduzir a tensão e o estresse do cotidiano, deixando esses espaços mais aconchegantes. Geralmente, o verde é associado com a fluidez e a liberdade e é indicado para espaços que precisam de mais tranquilidade. No caso desse hall de entrada verde, a tonalidade usada dessa cor fria não é pensada no sentido de se atrair mais calma e leveza: na verdade, o verde folha é revigorante e, combinado com os quadros em tons de vermelho e o piso em madeira avermelhada, ele estabelece uma decoração contrastada, a qual é equilibrada pelo uso de muito branco na janela, no teto e na parede oposta. Assim, vemos que uma cor fria combinada com uma quente pode acabar criando um ambiente mais vibrante. Mas o que é a decoração contrastada? A lógica desta harmonia é combinar dois tons opostos dentro do círculo cromático, como o verde e o vermelho, o amarelo e o roxo ou o azul e o laranja, que são chamados de cores complementares. Normalmente, uma cor atua como o tom dominante e a outra como um atenuante. Deve- se ter em mente que esta harmonia poderá parecer excessiva para algumas pessoas. O contraste resulta em alegria e dinamismo, mas também poderá ser agressivo. No entanto, este efeito pode ser suavizado com o branco e os outros tons neutros em  elementos decorativos como telas e tecidos. Daí a importância de se escolher as cores da decoração também tendo em vista o mobiliário e os elementos decorativos que são ou serão utilizados em um determinado ambiente. 

Vermelho na sala de estar

Nesta sala de estar moderna, o vermelho é a cor dominante. Se fosse uma decoração monocromática, haveria o uso da cor e de variantes mais quentes e mais frias. Mas aqui o vermelho foi reservado a detalhes – na verdade, grandes detalhes, como a poltrona, o tapete, a divisória em acrílico, as cerâmicas, a moldura da TV e assim por diante. A fim de não saturar a vista com a utilização exclusiva do vermelho, o ambiente tem muito branco, uma das cores neutras, além de mesa e cadeiras em acrílico transparente e grandes painéis espelhados. Outro elemento trazido para contrabalançar o vermelho é o sofá violeta, uma cor fria que é uma das mais poderosas do círculo cromático, aproximando as pessoas, estimulando o lado artístico delas e inspirando a generosidade. A combinação do vermelho com o violeta suaviza o espaço, equilibrando a paixão e o dinamismo do primeiro com o efeito calmante do segundo. Cabe lembrar que a sala de estar poderia também privilegiar as cores frias, em uma combinação de cores relaxantes e delicadas. Ou então em uma combinação de cores neutras, o que é muito comum e praticado na decoração atualmente. A imagem é de Alex Triks.

Cinza na sala de jantar

No projeto de Leo Shethman Arquitetura e Design para esta sala de estar em estilo minimalista, o cinza azulado é a cor que marca o ambiente de maneira muito suave na parede e no tampo da mesa de linhas retas. A combinação de cores privilegia as neutras, que aparecem no piso claro e nas cadeiras de madeira clara e e assentos e encostos brancos, além das cerâmicas rusticas em tom terroso sobre a mesa e o balcão branco suspenso na parede. A luminária múltipla com várias lâmpadas em bocais de metal dá um ar industrial e contemporâneo à sala, mas dentro do mesmo espírito de cores delicadas. O cinza da mesa e da parede são exemplos de cores neutras com clareamento, ou seja, com adição de branco.  

Laranja no escritório

É muito recorrente que o escritório leve cores neutras, especialmente o branco, o preto e o cinza (ou a madeira escura) para não prejudicar a concentração de quem trabalha. No escritório em casa, no entanto, pode-se querer dar ao espaço uma pouco mais de personalidade ao se utilizar cores quentes ou frias. Estas podem ser benéficas ao permitir um ambiente mais sereno, mas o exagero nas cores frias pode provocar sonolência, desânimo e dispersão da mente. Já as primeiras, as cores quentes, podem, por um lado, estimular a ação, o dinamismo e o entusiasmo, mas, por outro, se em excesso, causar inquietação, ansiedade, cansaço. Assim, o ideal seria combinar as cores frias com cores quentes ou, ainda, clarear as cores quentes para suavizá-las. Em todos os casos, convém ter apenas uma parede em cor vibrante como o laranja, que se pode observar neste escritório, e usar muito branco para contrabalançar, o que é a solução encontrada nesta imagem. O laranja também é mais claro e faz par com o tapete oriental e a mesa em madeira clássica. 

Azul no quarto do bebê

No quarto do bebê, facilitar o sono dele e ajudá-lo a relaxar é o mais importante na hora de escolher as cores da decoração. Nesse caso,  junto com o branco, o azul, o verde e o violeta são muito indicados, especialmente os tons pastéis. Isso, no entanto, não impede que o ambiente tenha pontos de cor aqui e ali no que se refere à decoração. Já crianças maiores e adolescentes podem ter quartos mais estimulantes à criatividade com o uso de cores quentes. Mas é preciso usá-las de forma equilibrada ou comedida para evitar que a vibração do ambiente prejudique o sono de crianças e adolescentes. Na imagem acima, foram usadas cores neutras como branco, bege a azul, que é uma cor relaxante e delicada nos seus tons mais claros. 

Amarelo no quarto

Quartos  por Architekturbüro Dr. Görstner
Architekturbüro Dr. Görstner

Gästezimmer, Foto: Karoline Wolf

Architekturbüro Dr. Görstner

A princípio, como o quarto do bebê, o quarto do casal deveria ser também um lugar de relaxamento e tranquilidade, o que, portanto, exigiria cores frias na decoração. A combinação entre diferentes tons dessas cores podem proporcionar um ambiente propenso ao descanso. Mas, por outro lado, pode-se também ousar com as cores quentes, desde que haja muito branco e claridade no espaço. É o caso deste quarto, em que foram combinados poltronas e um painel com nichos em amarelo com roupas de cama laranja. O amarelo estimula a reflexão e é uma boa cor no escritório, por exemplo, mas também vai bem aqui neste ambiente, em que amplas janelas, muita luz natural e madeira criam uma atmosfera aconchegante e alegre. O quarto traz as três cores quentes, já que a tela sobre a cama apresenta vermelho também. Já a faixa verde no painel  dá um toque de cor fria muito bem-vindo.

Azul no banheiro

Suíte com banheiro integrado: Banheiros modernos por A/ZERO Arquitetura
A/ZERO Arquitetura

Suíte com banheiro integrado

A/ZERO Arquitetura

O banheiro é também um cômodo que, tradicionalmente, voltado à limpeza e ao relaxamento, por isso costuma privilegiar o branco e as cores frias na sua coração. Na imagem acima, o banheiro amplo, aberto para o quarto, confirma a prática, mas ganha um toque de cor com a introdução de um painel em tons de azul que serve de divisória na passagem de entrada ao espaço. O efeito é muito bonito e calmante, bem propício à calma e à intimidade. Mas é possível, por outro lado, usar cores quentes no banheiro, sempre equilibrando a quantidade e intensidade das cores com as dimensões e o estilo desejado.

Laranja na cozinha

Já a cozinha costuma ser mais associada às cores neutras ou quentes, uma vez que os tons dessa categoria de cor estimulam o convívio e o apetite. Mas muita gente gosta de cozinhas ligeiramente vibrantes: é o caso desta da imagem acima, em que o laranja forte fica restrito a uma bancada no armário. Mais: ele contrasta com o cinza escuro, tipo grafite, de todos os armários embutidos. Sendo uma cor neutra, o cinza – combinado com o branco do piso e da porta – suaviza a vibração do laranja. O resultado é um ambiente sofisticado com um toque vibrante. Para outras dicas sobre cores, leia este artigo.

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